Geoffroy de Pennart
Lucas vivia feliz,
cercado por toda a sua família.
- Já estou grande. Está
na hora de seguir minha vida – ele declarou um dia a seus pais.
- Eu sabia que esse dia
ia chegar – suspirou o pai.
- Vou sentir muito a sua
falta – lamentou a mãe.
- Você é o sol da minha
vida.
Volte logo para nos ver –
disse a avó, abraçando Lucas.
- Pegue este relógio. Eu
sei que você sempre quis – disse o avô
- Oh! Não,
vovô, isso é demais!
- Nada disso,
você NUNCA deve desobedecer o seu avô – disse o velho lobo.
-Nós vamos
cantar para animar a sua partida - gritaram os irmãos, pondo-se a tocar:
Adeus,adeus,
querido irmão!
Chegou a hora
da separação.
Vamos cantar
para esquecer que
Não vamos
mais nos ver.
-Vamos
garoto, é hora de partir. Olhe, aqui está a lista de tudo o que você pode comer
– disse o pai.
-E não deixe
levar pelo sentimento – acrescentou a mãe.
Lucas saiu da
floresta. Pouco depois começou a sentir fome.
Na entrada de
um bosque, ele encontrou uma cabra acompanhada de seus sete cabritinhos.
-Quem é a
senhora? – ele perguntou, educadamente.
- Eu sou a
cabra, e esses são meus cabritinhos.
Hummm, vocês
estão em um bom lugar na minha lista. Então, vou comê-los! – disse Lucas.
-Nesse caso,
vai ter de comer todos nós! Senão, os que restarem vão ficar inconsoláveis –
suplicou a cabra.
-É mesmo.
Mas, pensando bem, não estou com tanta assim. Adeus, senhora – despediu-se Lucas,
comovido.
Lucas seguiu
seu caminho.
“Talvez eu
não devesse ter abandonado um almoço tão
gostoso” ele matutou.
De repente,
ele deu de cara com uma garotinha toda vestida de vermelho.
-Quem é você?
- Sou
Chapeuzinho Vermelho – respondeu a garotinha tremendo.
-Hummm, você
está na minha lista. Então vou comer você.
-Tenha
piedade, senhor lobo,não me coma. Minha vó vai ficar muito triste! Ela diz que
eu sou o sol da vida dela! – suplicou Chapeuzinho Vermelho.
Lucas ficou
confuso.
-Minha avó
diz exatamente a mesma coisa. Desapareça depressa, antes que eu mude de ideia!
Lucas retomou
seu caminho, com o estômago já reclamando.
“Eu sou mesmo
sentimental demais”, pensou ele.
Mas logo ele avistou
três porquinhos rosados, baixinhos e gordinhos.
“Tomara que
eles estejam na minha lista!”, pensou Lucas.
- Quem são
vocês?
- Nós somos
os Três Porquinhos.
- Perfeito.
Estão na minha lista, então vou comer vocês!
- Permita-nos
ao menos cantar pela última vez – imploram os Três Porquinhos.
Adeus,adeus,
querido irmão!
Chegou a hora
da separação.
Vamos cantar
para esquecer que
Não vamos
mais nos ver.
Lucas concordou.
Mas, ao ouvi-los, não conseguiu deixar de se lembrar de seus irmãos.
- Saiam antes
que eu mude de ideia – uivou ele, todo agitado.
“Sou
sentimental demais”, resmungou consigo mesmo. Sua roncava cada vez mais alto.
-Ah! Veja
você! – disse uma voz atrás dele.
Lucas deu um
salto. Um garotinho o encarava corajosamente.
- Quem é
você?
- Meu nome é
Pedro.
- Hummm, você
está na minha lista – falou Lucas.
- Você também
está na minha lista. Eu desobedeci ao meu avô para vir caçar você e...
- NÃO SE DEVE
NUNCA DESOBEDECER AO AVÔ, OUVIU? – berrou Lucas, com a voz mais grossa.
Pedro,
apavorado, saiu em disparada.
“Alguém já
viu um lobo tão sentimental assim? Não como nada há horas. Agora, a família
Cabra, Chapeuzinho Vermelho, os Três Porquinhos e até o danado do Pedro seriam
somente aperitivos”, pensou Lucas.
Enquanto
pensava, Lucas chegou diante de uma casa velha e maltratada.
“Com um pouco
de sorte, pode ser que eu encontre alguma coisa para mastigar.”
Ele bateu na
porta...
...e quem
abriu foi um gigante de cara ameaçadora.
- VÁ EMBORA,
SEU BICHO IMUNDO! – gritou o grandalhão...
...batendo
com a porta na cara dele.
O sangue de Lucas
subiu à cabeça.
Louco de
raiva, torturado pela fome, ele se atirou para dentro da casa...
...e devorou
o gigante miserável.
“Ah! Nunca
comi tão bem!”, pensou Lucas, lambendo os beiços.
De repente,
ele ouviu uns gemidos estranhos. Erguendo os olhos, viu no fundo da sala um
jaula dentro da qual estavam presas várias criancinhas!
Ele
destrancou a porta.
- Quem são
vocês
- Eu sou o
Pequeno Polegar, e esses são meus irmãos.
Nós queremos
agradecer a você de todo o coração! Graças você, o gigante não vai mais nos
comer!
- Ah! Hoje é
o dia de sorte de vocês. Fujam, rápido! – exclamou Lucas, rindo.
Depois, na
lista que seu pai lhe havia dado, caprichando na letra, ele escreveu uma
palavra: GIGANTE.
